Casa com integração total e grandes fachadas de vidro

Escada que parece escultura, pé-direito duplo e bancadas de concreto fazem dessa casa, em terreno estreito, uma escultura de morar.

 

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Esta é uma típica história de amor à primeira vista. “Quando entrei (na casa), tive certeza: era onde eu queria viver”, diz o empresário paulistano. O sentimento imediato tem uma explicação racional – dono de uma galeria de arte, ele soube apreciar qualidades que a construção esbanja. “Fiquei fascinado com a luminosidade entrando por todos lados, com a elegância das linhas e com o X de concreto, uma verdadeira escultura na sala”, fala. Para além das questões estéticas, pesou o bom aproveitamento do espaço, que demonstra: casa pequena não é sinônimo de aperto.

 

O jardim equipado com churrasqueira combina vegetação e deck de ripas de cumaru, pregadas em barrotes de peroba. Paisagismo de André Paoliello.

 

O encantamento do morador denota que os autores do projeto, Gregory Bousquet, Carolina Bueno, Guillaume Sibaud e Olivier Rafaelli, do escritório paulistano Triptyque, acertaram na fórmula. “Fomos contratados por um investidor, que ergueu a construção para vender. Como não sabíamos quem ia viver lá, apostamos em elementos neutros e na boa arquitetura: claridade e ventilação abundantes, desenho bem resolvido e conforto”, explica Olivier. Todas escolhas aprovadas sem ressalvas pelo proprietário. “Não troquei uma torneira sequer, uma maçaneta, nada. Acho que nem eu mesmo teria planejado uma casa tão parecida comigo.”

 

Acabamentos neutros – como os tacos de cumaru (Pau-Pau Pisos de Madeira), a escada de concreto e a pintura branca – destacam as obras de arte.

 

O PROJETO

Soluções desta casa pequena:

Vidros: como não criam barreiras visuais, eles proporcionam a sensação de amplitude.

Jardim integrado: se houver ambientes ao ar livre, promover a ligação do espaço interno com eles é uma solução que parece estender a metragem da moradia. Vale adotar caixilhos que se recolham inteiramente para um lado ou outro, liberando totalmente os vãos.

Portas de correr: internamente, elas sempre ajudam a integrar os espaços. aqui, dividem a sala da cozinha, e são abertas ou fechadas conforme o desejo de privacidade do morador.

Paginação do piso: a colocação dos tacos no sentido longitudinal alonga visualmente os cômodos.

 

Cercada de portas de correr, a cozinha integrada à sala, com piso de ladrilhos hidráulicos (H Cerâmica).

 

O projeto é homogêneo – repare como o banheiro repete os ladrilhos hidráulicos e o concreto aparente da cozinha. Nas paredes, a pintura epóxi, resistente à umidade, aparece até dentro do boxe. Louças, misturador e chuveiro da Deca.

Área: 193 M2; Ano do projeto: 2009; Conclusão da obra: 2010; Projeto: Triptyque Arquitetura; Engenheiro calculista: Rioske Kanno; Execução: Bassani Arquitetura e Construção

Fonta: Revista Casa Abril - Reportagem Eliana Medina (visual) e Rosele Martins (texto) | Design Júlia Blumenschei | Fotos Eduardo Pozella | Ilustrações Campoy Estúdio

Como fazer uma boa iluminação em ambientes com e sem forro de gesso

Um projeto luminotécnico depende da escolha certa das lâmpadas. Aliadas às luminárias, elas podem criar efeitos de luz que deixará seus ambientes agradáveis

Texto Daniella Grinbergas | Reportagem Visual Fernanda de Castro Lima e Bianca da Silva Pereira (Colaboração) | Ilustrações Fabio Flaks

É claro que as luminárias contam muitos pontos na decoração e também ajudam a criar efeitos de luz, mas, ao contrário da crença geral, elas não são as estrelas de um projeto luminotécnico. A definição mais importante se refere às lâmpadas, as verdadeiras protagonistas dessa história. A escolha correta é o primeiro passo rumo à conquista de ambientes confortáveis, com iluminação na medida. Só então chega a vez de se esbaldar entre os inúmeros spots e lustres, comprando aqueles que se adequam às lâmpadas eleitas.

 

Como iluminar ambientes com forro de gesso

 

Iluminação para ambientes com forro de gesso

Iluminação para ambientes com forro de gesso.

O espaço é conjunto, mas não pense que a iluminação pode ser geral ou abranger mais de uma área. Cada um dos locais pede determinado tipo de luz, de acordo com o uso, portanto trate-os isoladamente.

- “A vantagem do gesso é a flexibilidade. É possível trabalhar os circuitos, fazer novos pontos de luz e sancas”, explica o arquiteto e lighting designer Carlos Fortes. Note que, na primeira sala, o forro com sanca delimita o estar e produz iluminação indireta – discreta e sem sombras marcantes. O aspecto negativo é o custo: por um projeto como este, com cerca de 15 m², a AY Gesso cobraria R$ 3 910.

- No jantar, o importante é ter uma luminária bem acima da mesa (a 60 cm do tampo), um modelo que não provoque áreas de sombra, nem ofusque quem está sentado. “O modelo mais comum é o pendente de luz direta”, ensina o especialista.

1.Pendente Aruba roomstylers (Philips), de metal escovado e tecido (0,40 x 1,50 m*). O soquete de rosca E-27 permite acoplar uma lâmpada incandescente de até 75 w, uma fluorescente compacta ou LED. Luz Etc , R$ 246,15

2.O 225701 tem spot direcionável com moldura de alumínio (9 x 9 cm). Recebe dicroica ou AR 48, ambas de 50 w. Sobre o balcão e a TV no estar, há lâmpadas com 10 graus de angulação e, na cozinha e no corredor, de 60 graus. Labluz, R$ 32

3.Na mesa lateral vai o abajur Krin (TYG). De alumínio com pintura na cor lavanda, oferece base de rosca E-27 para uma incandescente de até 40 w, uma fluorescente compacta ou LED. Mede 14 x 50 cm. Futura Iluminação, R$ 158

4.No estar, o efeito de “lavar a parede” atrás do sofá é dado pela luminária No frame total ww (11,7 x 11,7 x 12,8 cm**), de aço dobrado, com visor de vidro temperado translúcido. Para palito bipino de 100 w. Lumini, R$ 135,86

 

Com ou sem forro: essas dicas valem sempre

 

Iluminação sem forro de gessa

Iluminação para ambientes sem forro de gesso.

 

Observe o primeiro projeto: para o efeito dirigido – quando o foco é orientado para destacar algo – sobre a bancada, há lâmpadas de 10 graus, de facho bem fechado. No corredor para os quartos, usou-se a mesma luminária, porém com lâmpada de 60 graus. “Quanto mais aberto o ângulo, mais a luz se espalha”, diz o arquiteto, que ainda sugere um abajur ao lado do estofado para dar um clima intimista.

- A cozinha pede luz geral difusa – suave e sem foco direto, gerada por um difusor, que pode ser um vidro fosco ou acrílico –, além de pontos com lâmpadas de grau fechado sobre as áreas de trabalho.

- O espaço total é enxuto e aberto. Por esse motivo, não recomenda pendentes acima do balcão, o que sobrecarregaria a decoração e atrapalharia o campo de visão.

- Em uma área integrada, a premissa é buscar a mesma linguagem visual entre as luminárias. “Use materiais idênticos nos produtos técnicos, como spots e embutidos, e varie no abajur e no pendente, peças em que é possível jogar com cores.”

- Em locais de passagem, evite as fluorescentes: apesar de econômicas, têm sua vida útil reduzida com o acender e apagar frequente.

- Uma dica para ganhar aconchego está nas lâmpadas de temperaturas de cores quentes – as de 2 700 a 3 000 kelvin (k) são mais amareladas.

1.Da canopla à base da cúpula de tecido (30 cm de diâmetro), a estrutura de aço do Allungare (ref. 60010) tem curvatura de 30 cm. É para duas lâmpadas incandescentes (60 w) ou fluorescentes (23 w) com soquete de rosca E-27. Ella, R$ 510

2.De alumínio tingido de branco, a luminária de sobrepor Box luce (ref. 50701) mede 7,6 x 7,6 x 11,2 cm e foi indicada para a cozinha e o corredor. O soquete bipino aceita halopin de 60 w ou PAR 16 (50 w). Ella, R$ 65

3.A luminária de mesa Aurora está a serviço de colorir o ambiente. Produzido em metal com pintura vermelha, o abajur de 16 x 46 cm recebe lâmpada de 60 w e possui soquete E-27. Oppa , R$ 199 

4.O plafon orientável PSL 400 (11 x 11 x 11 cm), de alumínio, tem acabamento branco. É compatível com dicroica de 50 w, PAR 20, PAR 30, AR 70 e AR 111 (neste caso, previu-se a dicroica de 50 w). Luminárias Premiere, R$ 54,80

 

Como iluminar ambientes sem forro de gesso

Na sala, sem forro rebaixado, o ponto de luz descentralizado não causou problemas: uma luminária dotada de braço desloca a cúpula até o centro da mesa. Outra opção seria adotar um desviador – trata-se de um acessório simples, que, fixado no teto, conduz o fio do pendente até a posição correta.

- Todo conforto é necessário no estar. “Vale combinar iluminação direta – que lança a claridade para baixo – com pontual – focada em quadros e objetos”, ensina Carlos. Em ambas as situações foram previstos spots direcionáveis, porém perceba que nenhum se volta para o sofá, evitando ofuscamento e calor.

 

Escolha a lâmpada certa

INCANDESCENTES

Gastam muita energia e são pouco eficientes, pois apenas 5% da eletricidade que usam se torna luz – o resto vira calor. Têm os dias contados: até o fim do ano, os modelos acima de 101 w deixarão de ser vendidos. Os demais acabam até 2017.

Incandescente de 60 w, da Taschibra. Balaroti, R$ 2,07

 

FLUORESCENTES

Dividem-se entre compactas – que incluem um reator e encaixam nos mesmos soquetes das incandescentes – e tubulares – que precisam de reator auxiliar. consomem 80% menos energia que as incandescentes, entretanto, a maioria dos modelos emite luz fria. Têm baixo índice de reprodução de cor, de 70% a 80% (o irc indica a capacidade que a luz tem de exibir fielmente as cores). recomendadas para cômodos que exigem claridade intensa e constante, como escritórios e cozinhas.

 

Fluorescente compacta espiral de 25 w, da Taschibra. Taqi , R$ 11,76.

 

HALÓGENAS

- Aqui estão elas: dicroica, par, ar, halopin e palito. são as que melhor reproduzem as cores, contudo gastam apenas 30% menos que as incandescentes. com luz amarelada, vão bem em salas, mas como esquentam bastante, não devem ser direcionadas para sofás e poltronas, nem usadas em muitos pontos. em quartos, se saem melhor em luminárias com efeito difusor.

- Por ser de baixa voltagem, a dicroica pede um transformador. Gera luz mais brilhante, pois tem um refletor parabólico. a PAR (sigla em português de “refletor parabólico aluminizado”), também refletora, possui um vidro que protege a lâmpada, razão para ser usada em banheiros e jardins. a AR (sigla para “refletora aluminizada”) apresenta facho bem definido e ofusca menos. Já a menor da turma, a halopin, tem potência e voltagem baixas, por isso clareia cantinhos, gastando pouca energia. A palito, ou lapiseira, joga a luz para cima.

Halopin bipino de 50 w, da Taschibra. Amoedo , R$ 9,32

LED

- Sigla em inglês para “diodo emissor de luz”. na verdade, não é uma lâmpada, mas ilumina. Oferece tecnologia avançada, até 50 anos de vida útil (dependendo da qualidade), economia (gasta 80% menos que as incandescentes) e boa luminosidade. aquece pouco, tem irc de 85% e é encontrado em tonalidades e formatos variados (de dicroica, por exemplo). combina com qualquer ambiente. O ponto fraco está no preço, ainda alto, todavia com tendência a cair.

De LED, modelo Master ledbulb, de 8 w, da Philips. Home Light, R$ 129,90

 

Fonte: http://casa.abril.com.br

Consultoria: Laboratório de Fotometria Iee/Usp, Engenheiro José Gil Oliveira

Telhas translúcidas: 12 modelos que deixam a luz entrar

Saiba por que vale apostar nas telhas translúcidas feitas de acrílico, pet reciclado, vidro ou policarbonato.

Aquele cantinho escuro da casa tem solução – e sustentável! Usados em meio às outras telhas da cobertura, os modelos transparentes agem como ilhas de claridade. “São efcientes transmissores da luz natural e oferecem resistência a temperaturas altas e baixas”, observa a arquiteta Ana Perlla, sócia de José Júnior, de Belém.

1. A telha americana de policarbonato da Atco mede 25 x 42 cm. A inclinação ideal para instalação é de 30%. Para cobrir 1 m², são necessárias 12 unidades. Custa R$ 20 cada uma.

2. Portuguesa de vidro reciclado (22 x 40 cm), a telha da Vidroluz vai bem onde o caimento tem no mínimo 30%. Cerca de 16 peças fecham 1 m². Por R$ 18,40 cada uma, na Cia. das Telhas.

3. Azul, a telha AL trapezoidalda Brasilvic é feita de PVC. Tem 110 cm de largura e o comprimento (até 12 m) varia de acordo com o projeto. Funciona mesmo em coberturas planas. Fechar 1 m² sai por cerca de R$ 31.

4. Da Tégula, modelo Plana de acrílico, com 33 x 42 cm. Pede caimento de 50%. É preciso somar 10,4 telhas para cobrir 1 m². Preço: R$ 65,44 por unidade.

5. A Prime T, de vidro, mede 33 x 42 cm e 1 m² leva 9,3 telhas, inclinadas a 30%. O valor da unidade fica em R$ 36, na Ibravir.

6. Da Belmetal, o modelo trapézio industrial é composto de policarbonato branco e leitoso. Grande, a peça mede 5,80 x 1,12 m e apenas uma delas cobre 5,80 m². O caimento mínimo é de 5%. R$ 242 cada uma.

7. O modelo Onduclair, da Onduline (95 x 200 cm), é feito de policarbonato e pede ao menos 18% de inclinação. Basta 0,66 unidade por m². Cada uma vale R$ 115.

8. De policarbonato, a Ondulada Cristal mede 5,80 x 1,10 m e cobre 5,80 m². O caimento mínimo é de 5%. Da Belmetal, custa R$ 225.

9. Para fechar 1 m² com a telha romana da Prismatic, são necessárias 10,5 unidades de 29 x 48 cm. O caimento exigido é de 30%. À venda na Cia. das Telhas por R$ 69 a unidade.

10. Feito de vidro, o modelo colonial gigante (21 x 56 cm) da Prismatic deve ser instalado com ao menos 20% de inclinação. Fecha-se 1 m² com 16 unidades, à venda por R$ 53 cada uma, na Cia. das Telhas.

11. Da Eurotop, a telha romana (29 x 48 cm) leva pet reciclado injetado. Em 1 m² são usadas 10,5 peças – sempre em coberturas de ao menos 30%. Preço médio: R$ 22 cada uma.

12. A linha Double S, da Tégula, é de acrílico e mede 33 x 42 cm. Inclinação indicada: 30%. O m² requer 10,4 unidades. Custo: R$ 48,78 a peça.

O quesito temperatura merece atenção. “Uma grande área coberta com telhas transparentes tende a ficar mais quente do que uma forrada com telhas de concreto ou outro material. Isso se deve à passagem direta do calor do sol – não por causa da composição da peça”, explica o engenheiro Eduardo Tavares Carneiro, supervisor de desenvolvimento de produtos da Tégula. Por isso – e pelo custo mais alto, se comparado ao de alternativas opacas –, o ideal é aproveitar pontualmente os modelos translúcidos. Outras vantagens? “Aplicá-los no sótão evita a proliferação de morcegos e fungos na estrutura de madeira do telhado”, completa. Além das telhas de vidro e policarbonato, há opções de acrílico, pet reciclado e fibra de vidro. Antes da instalação, um arquiteto ou engenheiro devem avaliar a quantidade necessária de pontos a iluminar e o estado geral da cobertura. “Veja se a telha transparente encaixa nas já existentes e se a inclinação mínima do modelo está de acordo com a do telhado onde será instalada. Por fim, confria se o peso das peças será suportado”, ressalta o engenheiro Luiz Eduardo Lazzati, de São Paulo.

 

Fonte: Site casa abril – Reportagem Edson G. Medeiros (visual) e Simões Neto (texto) | Fotos Luis Gomes